Acalântis

 

Da coragem, tem-se o risco.
Do erro, o entretanto.
Do fato, o que foi visto.
Do desafio, o encanto.

Dos números, a destreza.
Das pálpebras, o apelo.
Dos olhos, a franqueza.
Da mente, o duelo.

A pressa é inimiga da arte
Que nasce das lousas.
E se o vento agita tudo o que parte,
Que partam os voos a favor da própria arte.

Se os voos são o retrato do céu
E os desafios um pedaço de cada,
Então que voem as mentes como
Se fossem um bocado de asa.

Do desafio, a nobreza.
Do suposto, o oposto.
Da certeza, a possibilidade
E de todo conhecimento,
A multiplicidade.

                             Vinicius Sprada Maia ©
 
(esse é um texto de minha autoria, por favor, se for publicá-lo, mencionar os devidos direitos. Obrigado!)

 

De Camões em Camões

Nasceste na areia molhada de mar
Olhos azuis do menino de amor;
E atadas mãos ao tempo a cultivar
Metade do mundo de qualquer sonhador.
Rei tendes tal, que se o valor tiverdes
Aos pés do céu, e lá alcançardes

O penetrante azul do mar, atai
As mãos sobre a louvada alma de teus reis
E torna-te rei do sigiloso precatar
Dos olhos teus, e se, com isso tu só resistires
À tirania pensante à tua cabeça
Considera-te orgulhoso ao que começa.

Sobre coisas futuras da tua aurora
Ali, se acharam, juntos num momento,
Um pedaço do pecado de outrora,
Que ainda convocado ao pensamento
Que tendes sobre teus erros, prevalece
Sob o caráter onde teces teu interesse.

De olhos contra teu querer abertos,
Viste todo, na divina companhia
Dos próprios reis, teu sossego incerto
Te toda a escancarada travessia
Do azul dos olhos teus, de súbito a fitar
O amor, a dor e por teus reis à lutar.

 
(esse é um texto de minha autoria, por favor, se for publicá-lo, mencionar os devidos direitos. Obrigado!)vetor assinatura- Vinicius
 
 

O Começo do Resto

O quão bravo terei que estar a jogar-te
Longe do meu alcançe, fora do meu enlace?
Por quantas notas terei que passar ao descarte
Voraz da tua voz, seca pétala sob tua face?

Como posso eu amar se nem mesmo dói
O gentil aperto, da vontade que importe, da sorte
Da coragem de ser amor por ser herói
Da vontade de amar-te para além da morte…

Estou exausto, derrotado, adinâmico, extenuado.
Um passo a mais e certo pois nunca tive tempo de medo
E nunca tiveste no tempo dos olhos, no predicado lento
De um fim, vulgo começo do resto, tu brincas com quê?
Não brinques com o que não te cabe mais
Não acabe por maltratar o ar que tu mesmo respiras.

Prometi últimas estrofes cuspidas sobre tua face
Prometi mil anos de alegria , prometo mil acasos de sucesso
Prometi o que não posso cumprir porque peco por excesso
E pecar cansa, molhar folhas de tintas que não prestam
Mancha as mãos quando amasso, gasta tempo, palavra e amor.
Aliás, basta de gastar, quero somar-te num simples resto de memória
Num resto de romance inaudível que um dia sopre aos meus ouvidos
Como boas memórias pois quanto mais longe, menos intenso.
Obrigado, Tempo.

 

(esse é um texto de minha autoria, por favor, se for publicá-lo, mencionar os devidos direitos. Obrigado!)

 

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O Abacate Da Minha Infância

Aceito o combate!
Está pronta a linha de frente.
Saio em disparate,
Venho do mato, vasto mundo doente.

Foi-se o abacate da minha infância
Foi-se a natureza do meu encanto.
Aceito o combate;
E tanto me espanto que
Tomar controle do verde da minha infância
É lenda doente, fenda divina.

Aceito o combate desvirtuado da Terra
Que berra, que torna-te fera.
Que mostra tuas próprias fraquezas
Em guerra de pé d’água.

Aceito o combate!
Estou feito criança na esperança
Do mato viril, do resgate silencioso
Do abacate da minha infância.

 

(esse é um texto de minha autoria, por favor, se for publicá-lo, mencionar os devidos direitos. Obrigado!)

 

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Sentir? Sinta quem lê!