Poema

Tenho-te na hora do sono
Morno e bonito por toda beleza
Do que  me acontece por ter-te dono
De mim. Um consolo da destreza
De tudo que não me tem fim.

Tenho-te arrastando as algemas da minha alma
Como se o pecado fosse não ter-te a guiar-me
Por entre os pecados da minha carne.

Tenho-te sangrando meu tempo de que nunca tenho
Aos olhos da lua, ao sorriso de tuas brancas linhas
Que lá pela metade dos meus sonhos
Revela-me todo significado de estar vivo.

Tenho-te dormindo dentro de mim.
Um poeta com fome de mundo.
Um singelo olhar doce que pula os muros
Dele mesmo pra enxergar o outro lado das coisas.
A poesia.

Tenho-te num murmúrio do meu caráter
Num espasmo da minha alma.
Não sou bobo e nem um fofo travesseiro escondes de mim
Toda minha destreza de pintar palavras neste mundo.

Tenho-te, poema, dentro de mim,
E tão dentro de mim
Que lá pelo fim dos meus dias,
Já em estado de ebulição,
Desejo-te toda a expansão do meu universo ao mundo.

E quando já não estiver algemado a ti, meu querido
poema,
Aos olhos da lua estarei olhando um poeta
Pairando pelo ar lá em baixo.
Comendo as horas dos sonos de outros.

                         Vinicius Sprada Maia ©
 
(esse é um texto de minha autoria, por favor, se for publicá-lo, mencionar os devidos direitos. Obrigado!)
 
Sugestão de: Pedro Lourenço 

O Calo da Minha Alma

Falo muito mais do que me calo
Julgo muito mais do que me falo
E quando não me calo, piso no calo
E Jogo no fim do ralo metade do nó
Da minha alma.

Falo o que não cabe
Penso o que não se sabe
E ao pesar do meu contentamento
Vejo-me à espreita do preconceito.

Peco porque não me calo
Falo porque não me sei calar
E peco pelo simples fato de não pesar.

Devo deixar-me inóspito?
Devo calar-me incrédulo do mundo?
Devo julgar-me ao extremo do que não me calo?
Devo contar-me o que eu mesmo não me sei.

Julgar-me parece-me o maior desafio do mundo
O maior extrato de minha mudança
O menor esforço da lei de minha alma.

Mas se peco por não me calar
Estou disposto a dizer apenas o que sei
E o que não sei então me calo.
Não quero então que pisem no calo
Da minha alma, disposta a mudar muito mais da metade das minhas palavras.

Nobre não é quem se deixa levar pelas palavras
Nobreza se resume em atitudes faladas sem calar a própria alma educada divinamente
A falar apenas o que sabe
A dizer nada mais do que sabe.

                           Vinicius Sprada Maia ©
 
(esse é um texto de minha autoria, por favor, se for publicá-lo, mencionar os devidos direitos. Obrigado!)

Acalântis

 

Da coragem, tem-se o risco.
Do erro, o entretanto.
Do fato, o que foi visto.
Do desafio, o encanto.

Dos números, a destreza.
Das pálpebras, o apelo.
Dos olhos, a franqueza.
Da mente, o duelo.

A pressa é inimiga da arte
Que nasce das lousas.
E se o vento agita tudo o que parte,
Que partam os voos a favor da própria arte.

Se os voos são o retrato do céu
E os desafios um pedaço de cada,
Então que voem as mentes como
Se fossem um bocado de asa.

Do desafio, a nobreza.
Do suposto, o oposto.
Da certeza, a possibilidade
E de todo conhecimento,
A multiplicidade.

                             Vinicius Sprada Maia ©
 
(esse é um texto de minha autoria, por favor, se for publicá-lo, mencionar os devidos direitos. Obrigado!)

 

De Camões em Camões

Nasceste na areia molhada de mar
Olhos azuis do menino de amor;
E atadas mãos ao tempo a cultivar
Metade do mundo de qualquer sonhador.
Rei tendes tal, que se o valor tiverdes
Aos pés do céu, e lá alcançardes

O penetrante azul do mar, atai
As mãos sobre a louvada alma de teus reis
E torna-te rei do sigiloso precatar
Dos olhos teus, e se, com isso tu só resistires
À tirania pensante à tua cabeça
Considera-te orgulhoso ao que começa.

Sobre coisas futuras da tua aurora
Ali, se acharam, juntos num momento,
Um pedaço do pecado de outrora,
Que ainda convocado ao pensamento
Que tendes sobre teus erros, prevalece
Sob o caráter onde teces teu interesse.

De olhos contra teu querer abertos,
Viste todo, na divina companhia
Dos próprios reis, teu sossego incerto
Te toda a escancarada travessia
Do azul dos olhos teus, de súbito a fitar
O amor, a dor e por teus reis à lutar.

 
(esse é um texto de minha autoria, por favor, se for publicá-lo, mencionar os devidos direitos. Obrigado!)vetor assinatura- Vinicius
 
 

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